APENDICITE | Sintomas, diagnóstico, causas e tratamento

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08/10/2010 22:38

Saiba quais os sintomas da apendicite aguda e para que serve o apêndice.

Apendicite é o nome que se dá a inflamação do apêndice, um prolongamento do ceco, a região que liga o intestino delgado ao intestino grosso (cólon). O apêndice possui mais ou menos 10 cm de comprimento e tem um fundo cego. Seu formato lembra o de um verme, por isso também é chamado de apêndice vermiforme. Uma outra analogia fácil é com um balão de festa (bexiga) vazio ou um dedo de luva. 

ApendiciteA parede do apêndice contém tecido linfático e participa na produção de anticorpos (leia O QUE É UM LINFOMA? para entender o que é o sistema linfático). O apêndice também serve como reservatório de bactérias intestinais que ajudam no processo de digestão.

É comum aprendermos no colégio que o apêndice é um órgão sem função, o que é não totalmente errado. O apêndice parece ser apenas um resquício evolutivo, que se não é de todo inútil, também não parece fazer falta quando retirado cirurgicamente.

Por que o apêndice inflama causando a apendicite?

O apêndice normalmente produz um volume constante de muco que é drenado para o ceco e se mistura nas fezes. O seu grande problema é ser a única região de todo o trato gastrointestinal que tem um fundo cego, ou seja, é um tubo sem saída, como um dedo de luva. Qualquer obstrução faz com que esse muco se acumule, causando dilatação do apêndice. Conforme o órgão vai ficando maior, começa a haver compressão dos vasos sanguíneo e necrose da sua parede. O processo pode evoluir até o rompimento do apêndice, a temida apendicite supurada.

ApendiciteO intestino é rico em bactérias e quando o apêndice fica obstruído e inflamado, elas conseguem invadir a sua parede e alcançar a circulação e o peritônio (membrana que recobre todo o trato intestinal). Este processo é chamado de translocação bacteriana, que é nada mais do que a passagem de bactérias do intestino para a circulação sanguínea.

Existem várias causas para obstrução do apêndice. Em jovens é comum ocorrer um aumento dos tecidos linfáticos em resposta a alguma infecção viral ou bacteriana. Como o diâmetro interior do apêndice tem menos de 1 cm, qualquer aumento na sua parede pode obstruir a saída. Em idosos, o mais comum é a obstrução por pedaços ressecados de fezes. Também existe a possibilidade de obstrução por neoplasia ou por vermes intestinais.

Sintomas da apendicite 

O ceco e o apêndice ficam no quadrante inferior direito do abdômen, e, por isso, uma apendicite se apresenta tipicamente como uma dor nesta região. O problema é que em fases iniciais, quando há somente a distensão do apêndice, ainda sem intensa inflamação ao seu redor, os sintomas podem ser muito vagos e não necessariamente localizados neste sítio.

No começo a dor pode ser difusa, normalmente localizada na região do estômago ou em volta do umbigo. O apêndice é muito pouco inervado, por isso sua inflamação isolada é mal percebida pelo cérebro. Somente quando o peritônio, este sim rico em terminações nervosas, fica inflamado, é que o cérebro consegue identificar mais precisamente a região afetada. O quadro típico é de uma súbita dor moderada ao redor do umbigo que, conforme vai ficando mais intensa, dirige-se para o quadrante inferior direito.

Náuseas, vômitos e febre são sintomas comuns nas fases avançadas da apendicite. Pode haver diarréia ou prisão de ventre.

Quando há perfuração, ocorre uma peritonite (inflamação do peritônio) grave. O paciente apresenta intensa dor e o abdômen costuma ficar duro que nem uma pedra. O doente sente dor com estímulos simples como pisar no chão ou mudar de posição. Este quadro grave costuma cursar com sepse (leia O QUE É SEPSE?).

A apendicite pode ocorrer em qualquer idade mas é mais comum em adolescentes e adultos jovens.

Diagnóstico diferencial da apendicite 

A apendicite é uma das principais causas de cirurgia abdominal. Porém, vários outros processos inflamatórios dentro do abdômen podem mimetizar os sintomas da apendicite, como:

- Diverticulite (leia: DIVERTICULITE | DIVERTICULOSE | Sintomas tratamento)
- Doença de Crohn (leia: DOENÇA DE CROHN | RETOCOLITE ULCERATIVA | Sintomas e tratamento)
- Doença inflamatória pélvica
- Diverticulite de Merckel
- Ileíte aguda (inflamação do íleo, porção final do intestino delgado)

Apendicite crônica

Alguns pacientes apresentam quadro de obstrução intermitente do apêndice, com desobstrução quando a pressão dentro da luz fica elevada. Trata-se de um apêndice que inflama e desinflama repetidamente. É um quadro de dor abdominal repetida, que pode ser difícil diagnosticar.

Diagnóstico da apendicite 

Como em qualquer doença, o diagnóstico começa pela avaliação dos sinais e sintomas através da história clínica e do exame físico.

Como explicado acima, o apêndice é pouco inervado, e em um quadro de apendicite inicial, quando ainda não há inflamação também dos órgãos ao seu redor, nomeadamente do peritônio, podem ainda não existirem sinais claros de apendicite ao exame físico.

Conforme a inflamação progride, torna-se fácil detectar uma intensa dor a palpação profunda no quadrante inferior direito do abdômen. Quando há peritonite, o paciente sente muita dor durante o exame físico quando apertamos o abdômen com uma das mãos e subitamente a retiramos. Esta dor à descompressão é típica de processos inflamatórios do peritônio.

Os exames laboratoriais também são úteis, já que pacientes com peritonite costumam apresentar um número elevado de leucócitos no hemograma (leucocitose) (leia: HEMOGRAMA | Entenda os seus resultados).

Porém, uma suspeita clínica/laboratorial de um peritônio inflamado não é suficiente para fecharmos o diagnóstico da apendicite, uma vez que existem várias causas para peritonite.

Casos típicos de apendicite, principalmente se avaliados por médicos experientes, podem ser diagnosticados sem maiores dificuldades, mas atualmente é muito comum, e fácil, solicitar exames de imagem para confirmação do diagnóstico. Os dois exames mais solicitados são a ultrassonografia e a tomografia computadorizada, sendo esta última, a mais indicada em casos duvidosos ou com suspeitas de complicações.

Tratamento da apendicite 

O tratamento da apendicite é cirúrgico, podendo ser feito de modo tradicional e pela laparoscopia. A via laparoscópica é preferida em pessoas obesas, idosos e quando o diagnóstico ainda não é 100% certo na hora da cirurgia.

A cirurgia é imediatamente indicada naqueles casos com menos de 3 dias de evolução. Nos casos onde o paciente demora para procurar atendimento, a inflamação pode estar tão grande que dificulta a ação do cirurgião, aumentando o risco de complicações. Nestes casos, se a tomografia computadorizada demonstrar presença de muita inflamação ao redor do apêndice, com formação de abscesso (leia: O QUE É INFLAMAÇÃO? O QUE É UM ABSCESSO?), pode ser preferível tratar a infecção com antibióticos por algumas semanas antes de levá-lo para cirurgia.

Leia mais: http://www.mdsaude.com/2009/05/sintomas-da-apendicite.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+mdsaude+%28MDSaude.+Um+Blog+m%C3%A9dico+para+pacientes%29#ixzz11ozjyeb5 


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