Candidíase Cutânea

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27/09/2010 14:32

Nomes alternativos:

Candidíase cutânea; infecção fúngica da pele; infecção cutânea - fúngica; infecção cutânea - levedura; infecção cutânea por levedura.

Definição:

Infecção cutânea por fungos do tipo levedura, como a cândida.

Causas, incidência e fatores de risco:

O organismo normalmente hospeda vários microorganismos, incluindo bactérias e fungos. Alguns destes são úteis para o corpo, mas outros podem se multiplicar rapidamente e causar infecções. As infecções fúngicas são causadas por plantas microscópicas (fungos) que vivem na pele, ou seja, nos tecidos mortos do cabelo, das unhas e das camadas externas da pele. As infecções fúngicas incluem fungos do tipo mofo (dermatófitos, os quais causam infecções por tinea) e fungos do tipo levedura (tais como a cândida).

A candidíase cutânea envolve a infecção da pele por Cândida, podendo atingir praticamente qualquer superfície cutânea do corpo. A candidíase cutânea é muito comum. A cândida é a causa mais comum da erupção das fraldas nos lactentes, que se aproveita das condições quentes e úmidas sob a fralda. As duas formas mais freqüentes são Candida albicans e Candida tropicais.

A infecção por cândida é particularmente provável durante a gestação ou em outras condições que envolvem alterações hormonais, além de a diabetes e outros distúrbios endócrinos. Também é freqüente em pessoas obesas e que transpiram profusamente, pois as infecções fúngicas, incluindo infecções por Cândida, se desenvolvem em ambientes úmidos e quentes. Os antibióticos e contraceptivos orais aumentam o risco de candidíase cutânea. 
Quando ocorre em adultos, a afta oral, uma forma de infecção por Cândida encontrada nas membranas mucosas da boca, pode ser um sinal de infecção por HIV ou de outros distúrbios de imunodeficiência.

As infecções por Cândida são contagiosas e podem ser transmitidas tanto por contato direto ou quanto por contato com objetos como pentes, roupas e pisos de chuveiros ou piscinas. A cândida pode ser transmitida sexualmente e também pelo contato com animais de estimação que carregam os fungos.

Sintomas:

 

  • prurido (pode ser intenso)
  • lesão ou erupção cutânea
  • mancha aumentada
  • mácula ou pápula
  • vermelhidão (pode ser vermelho vivo)
  • pode apresentar escamas
  • pode apresentar lesões semelhantes a vesículas ou a espinhas
  • localizada nas pregas da pele, órgão genitais, tronco, glúteos, sob os seios, ou outras áreas da pele.

Sintomas adicionais que podem estar associados a esta doença:

  • vermelhidão ou inflamação cutânea
  • lesões genitais masculinas
  • lesões genitais femininas

 

Sinais e exames:

O diagnóstico é baseado principalmente na aparência da pele, particularmente se fatores de risco estiverem presentes. Uma cultura (veja cultura de biópsia de pele ou mucosa) ou um exame microscópico mostra a Cândida.

 

Tratamento:

A higiene é vital para o tratamento da candidíase cutânea. Deve-se manter a pele limpa e seca (veja a prevenção). A exposição ao ar ajuda a secar a pele.

Se possível, interrompa os antibióticos ou outros medicamentos que possam aumentar o risco de infecção por Cândida.

Para tratar a infecção, são utilizados medicamentos antifúngicos tópicos ou sistêmicos. Pode ser necessário prolongar o tratamento.

Expectativas (prognóstico):

A candidíase cutânea pode ser difícil de ser tratada e necessitar de um tratamento prolongado. A recorrência é comum.

Complicações:

 

  • recorrência da infecção cutânea por Cândida
  • propagação da infecção por Cândida para outras áreas do corpo
  • formação de granulomas (tumores granulares)
  • infecção sistêmica por Cândida, que pode ser fatal (raro)
  • candidíase disseminada em indivíduos imunodeprimidos

 

Solicitação de assistência médica:

Marque uma consulta com o médico se os sintomas indicarem candidíase cutânea.

Prevenção:

Um bom estado de saúde geral e higiene ajudam a prevenir infecções por Cândida. Mantenha a pele limpa e seca. Utilize roupas folgadas, feitas de tecidos naturais que "respiram", em vez dos sintéticos, para permitir que a pele seque. As roupas, incluindo meias e sapatos, devem ser trocadas quantas vezes forem necessárias para manter a pele seca. Lave e seque as mãos totalmente após contato com qualquer infecção fúngica, incluindo o contato para tratar a infecção, para evitar a propagação dos esporos. Talcos antifúngicos ou secantes podem ajudar a evitar as infecções fúngicas em pessoas que suscetíveis a elas.

 

 

 Figuras
 

 
fonte:http://adam.sertaoggi.com.br/encyclopedia/ency/article/000880.htm

São infecções produzidas por leveduras do gênero Candida, com maior freqüência Candida albicans. Enquanto micoses superficiais, as seguintes estruturas podem ser acometidas: pele, alguns anexos (unhas e folículos pilosos) e membranas mucosas. Quadros clínicos, tanto isolados como mistos, podem ser observados. Formas sistêmicas ocorrem principalmente em hospedeiros imunocomprometidos.

Leveduras do gênero Candida integram a microbiota cutânea e de algumas mucosas (boca, trato gastro-intestinal e vagina). Alguns fatores são capazes de desencadear a infecção, quando então o microrganismo assume morfologia filamentosa (pseudo-hifa), cuja identificação ao exame micológico é fundamental para atribuir-lhe responsabilidade patogênica. Numerosos são os fatores de risco implicados nas diversas formas cutâneas e/ou cutaneomucosas da candidíase, como obesidade, diabetes mellitus, clima quente e úmido, antibióticos sistêmicos de largo espectro, uso de corticóides (tanto locais como sistêmicos), imunossupressores, estados de imunodeficiência primária ou adquirida, oclusão (dentaduras, fraldas, vestuário), gravidez, anticoncepcionais orais,  maceração, incontinência urinária, hábito de sugar os dedos e mãos permanentemente molhadas, entre outros.

Manifestações clíncas:

Intertrigo: Representa a principal forma de expressão da candidíase cutânea. É mais observado em crianças, idosos e obesos. Qualquer dobra pode estar afetada, apresentando desde um eritema difuso, descamativo (em geral não-marginado, como nas tinhas), até intensa maceração, com exsudação e fissuras. Pústulas podem estar presentes. Uma variedade acometendo o 3º espaço interdigital das mãos ¾ erosio interdigitalis blastomycetica ¾ observa-se em indivíduos que permanecem muito tempo com as mãos molhadas, como empregados de bares.

Em crianças pequenas que vivem em ambiente tropical, é com freqüência observado na região do pescoço, precedido por miliária.
O diagnóstico diferencial inclui amplo espectro de dermatoses com localização preferencial nas dobras, como intertrigo simples, dermatofitoses, tricosporonose, dermatite seborréica e psoríase, entre outras.

Paroníquia e onicomicose: Ocorre mais em pessoas que mantêm as mãos prolongadamente mergulhadas em água. As dobras ungueais apresentam eritema, edema, e as unhas, distrofia. O processo é doloroso, de evolução crônica e rebelde ao tratamento.

Candidíase oral: Em neonatos, manifesta-se por volta da 4ª semana ou antes. Imaturidade das defesas e instalação incompleta da flora oro-intestinal são as prováveis razões pelas quais Candida albicans atua quase sempre como patógeno em recém-nascidos e lactentes. A contaminação se faz durante a passagem pelo canal de parto, ou posteriormente, a partir da pele dos seios e das mãos, transmissão oral pelo beijo ou através de mamadeiras não-estéreis. A apresentação habital é a forma pseudomembranosa aguda, caracterizada por exsudato cremoso, brancacento, facilmente removível sobre a mucosa oral (sapinho). Produz dor bucal, anorexia e, conseqüentemente, insuficiente aleitamento.O trato gastro-intestinal é quase sempre afetado, aparecendo a levedura nas fezes 2-3 dias após.

Candidíase oral pode ser marcador de estado de imunodeficiência (ex: AIDS, linfomas, leucemias), entretanto surge em adultos sadios, usuários de dentaduras ou diabéticos. Reconhecem-se mais três formas de apresentação clínica: eritematoatrófica (enantema pronunciado da mucosa das gengivas e da língua), perléche (eritema fissurado e exsudante das comissuras labiais) e a forma hiperplásica, caracterizada pela presença de exsudatos esbranquiçados de difícil remoção, assemelhando-se à leucoplasia oral pilosa quando acomete a língua.

Dermatite de fraldas relacionada à Candida: De aparecimento mais tardio no lactente, por volta do 2º ao 4º mês. Os pacientes invariavelmente albergam C. albicans no intestino, ainda sem fazer parte da flora, ao contrário do que ocorre em crianças maiores e adultos.
O início é abrupto, com maceração da pele perianal e do períneo. A seguir, expande-se às áreas vizinhas, sob a forma de eritema descamativo, com pápulas, erosões e exsudação. Podem ainda ser observadas vesicopústulas na periferia, que constituem excelente material para exame micológico.

Candidíase genital: Compreende casos de vulvovaginite e balanopostite, com freqüencia associados a intertrigo inguinal e perineal. Gravidez,diabetes mellitus e pênis não-circuncidado são condições de risco.

Foliculite por Candida: Raramente C. albicans produz quadro de foliculite na região da barba de homens adultos, portadores de seborréia, diabetes mellitus, imunodeficiências ou tratamento local prévio de lesões faciais com corticóides ou antibióticos. As manifestações vão desde pequenas pústulas foliculares até lesões nodulocrostosas e pustulosas similares à tinea barbaeinflamatória.

Candidíase mucocutânea crônica (CMCC): Doença caracterizada por infecção candidiásica refratária, debilitante e persistente. As manifestações variam desde localizadas a extensas, ocorrendo exclusivamente na pele, mucosas e unhas, em regra não evoluindo para sepsis ou doença disseminada. É marcadora de imunodeficiência primária, com início freqüente na infância, podendo entretanto aparecer a partir da idade adulta. Há casos familiares, de herança autossômica recessiva, e também esporádicos. Foram observados defeitos na produção de citocinas e na migração de leucócitos. Muitos pacientes mostram  predisposição paralela a infecções por vírus e bactérias encapsuladas. Há casos associados a endocrinopatias, como hipoparatireoidismo, diabete  insulinodependente  e insuficiência suprarrenal, e outros a neoplasias, como timoma.

Todas as manifestações cutaneomucosas próprias da candidíase podem ser observadas na CMCC. Além da cronicidade e resistência ao tratamento, chamam a atenção para o diagnóstico a presença de lesões hiperceratósicas do tipo corno cutâneo e uma invasão difusa das lâminas ungueais pelo fungo, somente viável em situações de deficiência imunológica.

Diagnóstico: Baseia-se no exame micológico direto, sendo necessária identificar pseudofilamentação da levedura. São espécimes adequados para o exame: escamas, exsudato (lesões orais, lesões pustulosas) e raspado ungueal clarificados pela potassa, com ou sem adição de DMSO e corantes. Consideramos útil o método de Jarbas Porto para lesões intertriginosas de pequenos pacientes, cuja colheita com bisturi pode ser perigosa. Mesmo sem clarificação, escamas em fita gomada permitem a observação tanto de blastoconídios como de pseudo-hifas. Cultura poderá ser realizada, sendo entretanto dispensável na grande maioria dos casos da rotina dermatológica.

Tratamento e prognóstico:
http://www.denverfarma.com.ar/MostrarFoto.asp%3Fid%3D59%26op%3Dp
A suspensão de nistatina, na dose de 100.000 a 200.000 U (1 a 2ml) quatro vezes ao dia é tratamento adequado para a candidíase oral do lactente, em que pese não haver aderência adequada à mucosa. Para adultos, utilizam-se drágeas de 500.000 U, na dose de uma a duas, com a mesma freqüência. Melhor desempenho parece mostrar o gel oral de miconazol a 2%, quatro vezes ao dia. Cremes e loções cremosas de antimicóticos azólicos são com sucesso utilizados nas diversas formas de apresentação cutânea.

http://www.laboratoriosobral.com.br/imgProdutos/56a031aadc.jpg
Salvo situações especiais, tratamento antimicótico sistêmico fica reservado para formas extensas em hospedeiros comprometidos, podendo ser utilizados azólicos (cetoconazol 200-400mg/dia), triazólicos (itraconazol 100-400mg/dia; fluconazol, habitualmente 150mg/semana ou doses maiores, até diárias) e mesmo fluocitosina (150 a 200mg/kg/dia) e anfotericina B (via IV lenta, doses inciciais menores e depois 1mg/kg/dia ou em dias alternados, em soro glicosado, com adição de hidrocortisona).

 fonte:http://www.emmanuelfranca.com.br/doencas/doencas113_candidiases.html

 

 

  

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